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segunda-feira, 21 de março de 2016

Detentos concluem pavimentação da entrada do Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas


O trabalho, executado por um grupo de internos, utilizou quase 1.500 blocos de concreto (blokretes) produzidos na fábrica própria, instalada pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Sejap) no Complexo de Pedrinhas. Após a conclusão desta primeira etapa de revitalização do estacionamento do CDP, os detentos já iniciaram o paisagismo em canteiros que vão ornamentar a fachada do local, que tem área total de 114 metros quadrados. As ações integram o processo de ressocialização de apenados, instituído pelo Governo do Maranhão, que prepara e qualifica os internos para o mercado de trabalho.

“A revitalização do complexo não se resume a uma simples pintura na fachada. Ao contrário, é o reflexo de um Governo organizado e comprometido com a questão prisional. O conjunto de unidades prisionais instalado no bairro Pedrinhas se transformou em um canteiro de obras, com a mão-de-obra dos próprios internos que, ao término dos serviços, na capital, seguirão trabalhando, com remuneração, na recuperação dos estabelecimentos penais do interior”, disse o secretário de Administração Penitenciária, Murilo Andrade de Oliveira.

Em menos de seis meses, desde o início da operação da fábrica em outubro de 2015, os internos já produziram mais de 28 mil blocos, além de 675 peças de meio-fio. A pavimentação de concreto está sendo realizada nos estacionamentos, passarelas e meios-fios do Complexo. Agora, eles trabalham no plantio de alfinetes nos canteiros ao redor do estacionamento. A Sejap adquiriu 12 mil mudas que farão a composição das fachadas de cada prédio localizado no Complexo de Pedrinhas e nas outras unidades prisionais de São Luís.

Segundo a supervisora de Trabalho e Renda da Sejap, Grazielle Bacellar, os internos são selecionados a partir de uma avaliação multidisciplinar para cada tipo de capacitação e respectiva atividade afim. No caso dos blocos de concreto, os internos revezam-se entre o processo de fabricação e o de disposição das peças na pavimentação de cada área.

“Dentro de cada unidade, temos uma equipe de classificação dos internos, que participam de entrevistas com vários profissionais, como terapeutas ocupacionais, psicólogos e médicos. Conforme a demanda da maioria, buscamos parcerias para trazer os cursos de capacitação”, explica Grazielle Bacellar.

Mais de 1.400 detentos em capacitação

Para expandir a cartela de cursos e atender com o máximo de temáticas solicitadas nas qualificações, a Sejap firmou parcerias com a iniciativa privada e com outros órgãos públicos. Empresas como a Inovva, a Mdal Consultoria em Segurança do Trabalho, a Masan, O Ciclismo e a Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa) oferecem facilitadores para conduzir as aulas e auxiliar no processo de aprendizagem de novos ofícios. Ao todo, 1.400 internos participam de capacitação e desenvolvem a partir delas alguma nova atividade nos presídios em todo o Maranhão.

A meta é desenvolver habilidades já pré-dispostas nos detentos a fim de deixá-los aptos e capacitados ao mercado de trabalho. O trabalho também colabora com o desenvolvimento psicossocial dos internos, que fortalecem o relacionamento interpessoal, a noção de equipe, sentem-se úteis na prática de atividades e melhoram a autoestima.

Paralelamente aos cursos onde aprendem a fabricar e instalar os blokretes, por exemplo, os internos também recebem cursos de uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). “Eles são remunerados, assistidos por uma equipe psicossocial e desfrutam de cursos profissionalizantes, justamente para que saiam daqui como mão-de-obra especializada”, conta Grazielle.

A supervisora de Trabalho e Renda da Sejap contabiliza os cursos já ministrados e os que começarão em breve. Segundo ela, de serralheria a panificação e artesanato, cada oficina e capacitação atrai parte do público alvo. No Centro de Reeducação e inclusão de mulheres apenadas (Crisma),25 mulheres participam do curso Mãos de Fada, pelo qual elas aprendem pintura, bordado, crochê e outras práticas artesanais.

Parte das mulheres já se prepara para um novo curso, que vai habilitá-las ao cultivo de hortaliças em hortas artesanais. Em todo o sistema penitenciário maranhense, já há 18 canteiros disponíveis para o trabalho, executado em parceria com a Masan. As hortaliças colhidas servirão para consumo interno e para doação às famílias das apenadas.

Na estrutura de panificadora montada na unidade do Olho d’Água, 40 internos foram qualificados e já produzem pães, bolos e salgados. Em parceria com a Semapa, que leva o conhecimento e as técnicas, além do curso de panificação, serão oferecidos cursos de bolos confeitados e de fabricação de sorvetes, este último com início programado para a próxima semana. Na Casa de Detenção (Cadet) de Pedrinhas, em três meses desde que começaram a produzir, os detentos já entregaram quase 1000 pares de chinelos.

Oficinas de gesso, de aros de bicicleta, de jarros de cimento e de almofadas também estão sendo oferecidas, distribuídas pelas unidades da capital e do interior. Para este semestre, estão previstas outras capacitações, como em serigrafia, lavanderia, tijolos ecológicos, fraldas descartáveis, sabonetes e corte e costura.

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