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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

São João dos Patos é a primeira maranhense a proibir extração de gás de xisto por FRACKING


Os vereadores de São João dos Patos aprovaram nesta segunda-feira, 12, projeto de Lei que proíbe o fraturamento hidráulico, método não convencional altamente poluente para extração do gás de xisto que está a grandes profundidades. Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – viajou até o Maranhão e usou a tribuna para falar aos vereadores dos riscos e perigos do Fracking e da importância em proibir a extração do gás da morte.

Com quase 25 mil habitantes, a sessão reuniu moradores, vereadores e prefeitos de cidades vizinhas, médicos, técnicos de saúde, técnicos agrícolas, participantes de cooperativas de bordadeiras, sindicatos rurais, patronal e de trabalhadores, além de técnicos do governo estadual.

De autoria do vereador Tio Jardel, a aprovação inicia a ofensiva da campanha Não Fracking Brasil no Maranhão, um dos 15 estados brasileiros que estão na rota do Fracking. “Foram realizadas duas sessões, sendo a segunda extraordinária, para aprovarmos antes do recesso a Lei que impedirá que a nossa região seja completamente contaminada pelo Fracking”, afirmou Tio Jardel.

“Estou empenhado em fazer com que dezenas de cidades do meu Maranhão também aprovem o projeto de Lei proibindo essa catástrofe que é o Fracking”, garantiu.

Fraturamento hidráulico, ou FRACKING, é o nome que dá à tecnologia que injeta em altíssima pressão no subsolo 70 milhões de litros de água, misturados a toneladas de areia e um coquetel de 720 substâncias químicas, muitas tóxicas, cancerígenas e até radioativas. Após fraturar a rocha para liberar o gás metano, parte deste fluído tóxico permanece no subsolo contaminando os aquíferos. O que volta à superfície contamina rios e córregos, polui o ar, torna o solo infértil para a agricultura e pecuária e elimina a biodiversidade. Proibido em vários países, estudos comprovam que viver próximo aos poços de Fracking está provocando câncer, abortamentos e nascimentos prematuros, infertilidade e doenças neurais e respiratórias nas pessoas. Animais e toda a biodiversidade também são impactados pelos fluidos.

Maranhão 100% livre do Fracking

“Nos próximos 100 dias, iremos apresentar e aprovar a legislação municipal em 100 % do território Maranhense já nas primeiras sessões de 2017. É a campanha Não Fracking Brasil avançando no Nordeste para impedir a contaminação da água, do solo produtivo, das florestas e da saúde das pessoas e do meio ambiente”, assegurou Juliano.

Além de participar da sessão na Câmara de Vereadores, o fundador da COESUS também conversou com alunos do Centro Federal Tecnológico do Maranhão (foto), concedeu entrevista na Rádio Sertão FM e se reuniu com lideranças políticas, gestores públicos e de movimentos sociais da região.

Vereadora Elorena Fernandes, de Sucupira do Riachão, também esteve na sessão da Câmara de São João dos Patos e manifestou integral apoio à campanha Não Fracking Brasil.

Por iniciativa do vereador Tio Jardel (à esquerda), São João dos Patos é a primeira cidade do Maranhão a debater um projeto de Lei para proibir operações de Fracking. Ele conta que em março deste ano participou da Marcha dos Vereadores em Brasília e assistiu a palestra de Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

“Foi um choque saber que a água, tão escassa em nossa região Nordeste, poderia ser usada e contaminada com essa tecnologia. Imediatamente procurei me informar sobre os riscos e impactos e a sensibilizar nossos parceiros de Câmara para impedirmos que o Fracking aconteça na nossa cidade”, lembrou Tio Jardel.


Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

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